“Wicked: A história não contada das Bruxas de Oz”, escrito por Gregory Maguire, é uma releitura fascinante do universo mágico de Oz, onde a história clássica é reinventada sob uma nova perspectiva a partir da literatura fantástica. Em vez de focar na famosa Dorothy, a obra explora as vidas e as complexidades das personagens Elphaba e Glinda – a Bruxa Má do Oeste e a Bruxa Boa do Norte, respectivamente. Através de uma narrativa provocativa, Maguire transforma a vilã tradicional em uma personagem empática e trágica, revelando as injustiças que moldaram seu caráter e a levaram a ser percebida como má.
“Wicked” levanta questões profundas e universais que vão muito além do entretenimento, explorando temas como preconceito, injustiça social e o poder da propaganda na construção de imagens públicas. Elphaba, nascida com a pele verde e marginalizada desde a infância, simboliza aqueles que são excluídos ou julgados por serem diferentes. A obra nos faz questionar o que realmente define o “bem” e o “mal” e até que ponto essas categorias são construídas socialmente.
E esse universo fantástico às telonas do mundo todo na próxima semana: “Wicked”, com direção de Jon M. Chu, roteiro de Winnie Holzman e estrelado pelas artistas Ariana Grande e Cynthia Erivo. E a Philos conversou com exclusividade com o artista brasileiro João Victor, o Mirror, responsável pela produção e ilustração oficial para as redes sociais do filme da Universal Pictures.
Esse é mais um dos grandes filmes que surgiram inspirados na adaptação de um livro para o cinema. Qual o papel da literatura para criação de novos mundos e narrativas?
“Criar novas narrativas é extremamente importante para essa geração atual, por isso é realmente importante construí-las instigando os jovens e adultos dessa geração à desenvolver o hábito da leitura, por exemplo. Não seríamos nada sem os livros, ilustrações, gravuras e principalmente a liberdade de criação, qualquer um que lê a obra “Wicked” vai construir em sua mente os diálogos e cenas de como seus artistas favoritos serão, por isso é importante instigar a leitura, sem ela não existe imaginação e nem criação”, afirma João Victor.
A literatura de fantasia como “Wicked” desempenha um papel essencial no imaginário coletivo, permitindo que temas complexos e críticos sejam abordados de forma acessível e envolvente. Através de mundos fictícios e personagens extraordinários, essas narrativas instigam leitores a refletirem sobre problemas reais, enquanto escapam para universos de magia e mistério. “Wicked”, ao se aprofundar em questões morais e sociais, exemplifica como o gênero de fantasia pode ser uma poderosa ferramenta de crítica social, revelando verdades sobre o mundo real através do encanto do irreal.
Para além das narrativas de contos de fadas, “Wicked” é um texto bastante conhecido: foi adaptado do livro para os musicais da Broadway até chegar nas telonas. Qual a importância de trazer narrativas e adaptações para discutir questões contemporâneas?
“Wicked é uma adaptação fenomenal e que tem uma simbologia Jovial muito grande, eu acredito muito no reforço linguístico na atualidade contemporânea, pois isso acaba moldando cada vez mais novos leitores e novos artistas que se interessam pela obra, a adaptação das páginas para os musicais foi realmente muito forte trazendo personagens tão fortes quanto os dos livros e acredito que isso ganha uma força muito grande agora com o lançamento do filme no dia 21 de novembro”.

O filme “Wicked” aborda a manipulação política e a opressão institucional, temas altamente relevantes em contextos contemporâneos. No reino de Oz, a figura do Mágico representa um sistema autoritário que busca controlar e silenciar vozes dissidentes. A obra sugere, de maneira crítica, que o poder muitas vezes se utiliza de discursos distorcidos para justificar a perseguição de indivíduos que ameaçam o status quo, trazendo à tona uma reflexão sobre as estruturas de poder na nossa própria sociedade.
Sobre isso, João Victor nos conta as relações de criação e inspiração no imaginário pop e divertido da história para criar suas ilustrações e animações que fazem parte da mídia oficial do filme. E perguntamos: Quais os aspectos da nossa cultura latina do Brasil que você usou para criar uma identidade para um filme de hollywoodiano?
“O sangue Latino corre em minhas veias e em minha criatividade também! Usei como referência as artesãs do Vale do Jequitinhonha e principalmente meus avós, Ana e Jomar, que trabalhavam com agricultura no Vale, naturais de Medina, em Minas Gerais; eles foram figuras muito fortes em minha infância, nas quais fui instigado a produzir artesanato. Minha mescla de arte digital tem como referência o barro do Vale do Jequitinhonha e as esculturas de barro feitas pelas artesãs de lá. Acho interessante falar sobre isso porque por mais que seja um trabalho simples é visto por milhões de pessoas e isso é uma forma de trazer essas questões de valorização cultural à tona”.
As adaptações literárias para o cinema e o teatro têm o poder de ampliar o impacto dessas histórias, alcançando um público mais vasto e permitindo novas interpretações e experiências emocionais. No caso de “Wicked”, o sucesso estrondoso de sua versão teatral prova que a obra tem relevância e ressonância com diversas gerações, transformando questões densas em entretenimento acessível e provocativo.
“Eu acredito que essa adaptação é tão Grandiosa quanto o livro, acredito no potencial dos autores e do diretor Jon M. Chu que é um diretor extraordinário! Eu sempre imaginei essa adaptação e quando vi que Ariana Grande e Cynthia Erivo acabariam interpretando “Glinda & Elphaba” fiquei maravilhado pois, para quem leu os livros, as personagens se encaixam perfeitamente! A Ariana é uma cantora extraordinária, a Cynthia tem um vocal de tirar o fôlego e é muito talentosa, eu amei o papel dela como fada azul em Pinóquio. Enfim, “Wicked” é o maior ato desde o Mágico de Oz interpretado por Judy Garland, pois tem a essência do livro, do musical e toda a magia que envolve o filme de Judy Garland, que apesar das narrativas polêmicas é um dos filmes mais incríveis do cinema”, conclui João.

A aguardada adaptação cinematográfica de “Wicked” promete trazer a história de Elphaba e Glinda para ainda mais espectadores, revitalizando o interesse pela obra e pelo debate dos temas que ela aborda. Certamente esse foi um dos momentos importantes para a carreira de criador e artista de João Victor. Que faz uma reflexão também acerca do uso de recurso de inteligência artificial na arte. E perguntamos quais outros desafios e projetos você também gostaria de destacar que foram tão grandiosos quanto “Wicked”:
“Eu acredito no potencial dos meus projetos sendo oficiais ou licenciados ou até mesmo por fan art para uso mundial. Mas eu acredito que minha história até aqui tem sido muito grandiosa e estou feliz porque eu trabalho muito para isso, são coisas feitas manualmente sem IA. Enquanto quem usa IA hoje em dia consegue colher frutos e ganhar milhões em cima de quem realmente trabalha duro, eu continuo resistindo independente de opiniões ou piadas sobre mim e meu trabalho. […] Wicked tem uma história linda, já fiz Gifs para a marca da Ariana Grande e isso é o que importa, espero ver outros artistas brasileiros conseguindo esses feitos e eu estou aqui para encorajá-los: façam o que vocês quiserem e sejam livres! Por que arte é liberdade de criar o que você quiser e quando quiser. A liberdade é um ato artístico que deve ser praticado sem medo ou pudor de ser realmente feliz! Não sou um artista de eventos ou influencer, eu só quero realmente ser um artista que produz algo diferente mesmo que seja inspirado em arte, músicas e filmes”.
Por aqui, estamos todos animados para assistir a estreia de “Wicked” que, assim como outras obras de fantasia são mais do que escapismos; elas são espelhos da condição humana e das dinâmicas sociais, oferecendo ao público a oportunidade de questionar, refletir e, quem sabe, reimaginar o mundo em que vivemos. Nos vemos nos cinemas!

Serviço: Estreia de “Wicked”, da Universal Pictures, dia 21 de novembro, em todos os cinemas do Brasil.